Higiene ocupacional nas indústrias: o guia completo

Higiene ocupacional
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De acordo com o Observatório de Saúde e Segurança no Trabalho, o 2º maior motivo de acidentes de trabalho, entre 2012 e 2018, foram os agentes químicos. Eles representaram 14% dos acidentes, o que mostra que as medidas com relação à higiene ocupacional (HO) ainda são precárias no Brasil.

Muitas vezes, os trabalhadores das indústrias são submetidos a rotinas de trabalho que não proporcionam segurança. Assim, o indivíduo fica suscetível a desenvolver problemas de saúde. Porém, não é difícil mudar essa situação, bastando que os gestores busquem realizar as análises, adotar as medidas e fazer os controles adequadamente.

A higiene ocupacional tem muitas ferramentas para auxiliar nesse processo. Quer saber como? Continue a leitura!

O que é higiene ocupacional?

A HO consiste no conjunto de metodologias necessárias para a prevenção de doenças decorrentes da atividade profissional — que pode ser industrial ou não. Essas medidas são não médicas e têm como principal finalidade o controle dos agentes físicos, químicos e biológicos presentes nos materiais e no ambiente.

Assim, ela visa a antecipar, reconhecer, avaliar e controlar os agentes nocivos à saúde. Além disso, tem como objetivo o conforto e o bem-estar dos profissionais. Assim, eles se sentem mais seguros e passam a trabalhar com maior motivação, o que pode proporcionar maior produtividade e melhores resultados para a organização.

Em muitos casos, as medidas adotadas preservam a integridade não só dos funcionários, mas também da comunidade que vive nas redondezas — por exemplo, quando se trata do descarte de materiais químicos ou, até mesmo, se houver algum procedimento inadequado que leva aerodispersoides para o ar.

Qual é a importância da higiene ocupacional na indústria?

A importância da higiene ocupacional para as empresas é inegável, pois ela avalia e propõe as medidas preventivas necessárias. No entanto, quando se trata de indústrias, a HO é ainda mais necessária, tendo em vista a exposição a agentes físicos, químicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos.

Para que a HO possa ser bem aplicada e efetiva, é importante que a empresa tenha os seus processos bem definidos — é possível utilizar fluxograma, mapa de risco, manual de cargos e outras ferramentas para isso. Ademais, precisa haver conhecimento, mesmo que básico e superficial, dos materiais utilizados em cada etapa.

Isso é necessário porque uma indústria pode lidar com diferentes tipos de produtos perigosos. Se não há, ao menos, organização, uso de EPIs, controle e conhecimento, a tomada de decisão e a medição não vão surtir os resultados esperados.

Por exemplo, em uma Indústria Petroquímica, teremos trabalhadores em diferentes áreas: destilação, coqueria, hidrotratamento, distribuição do combustível etc. Nesse caso, em várias etapas, há a presença de hidrocarbonetos, mas com características distintas. Logo, há também a necessidade de medidas diferentes.

Por isso, vamos dar um panorama, indicar quais são os principais agentes nocivos que podem ser encontrados, seus efeitos fisiológicos e as atitudes — indicadas pelas normas — que devem ser adotadas para evitar ou minimizar o risco.

Agentes e os seus efeitos

Para entender melhor sobre a higiene ocupacional e sua relação com a segurança do trabalho nas indústrias, é importante conhecer sobre os agentes químicos, físicos e biológicos, tendo em vista que são os principais responsáveis pelos danos à saúde dos profissionais. Os agentes químicos são:

  • poeiras — são aerodispersoides, isto é, partículas sólidas que são dispersas no ar e que são geradas por ruptura mecânica;
  • gases — são fluidos amorfos que ocupam um espaço. O aumento da pressão e a redução de temperatura podem alterar o seu estado para sólido ou líquido;
  • vapores — representam o estado gasoso de substâncias transportadas pelo ar em gotículas e o seu tamanho é molecular;
  • fumos — são partículas sólidas que são geradas pela condensação ou pela oxidação de materiais;
  • névoas — são gotículas líquidas suspensas no ar. Elas são geradas pela passagem do estado gasoso para o líquido, como quando está sendo feita uma pintura com pistola.

Os físicos e biológicos são de mais fácil entendimento. Por isso, vamos apenas citar alguns exemplos:

  • físicos — ruídos, temperaturas extremas, umidade, vibrações e radiações;
  • biológicos — bactérias, vírus, protozoários, parasitas e fungos.

Efeitos fisiológicos

Muitas vezes, as empresas trabalham com tais substâncias, mas sem o devido conhecimento de segurança do trabalho e não veem nenhum caso de dano à saúde ou ao bem-estar do colaborador, então, acreditam que não há nenhum risco no local. Isso acontece porque os problemas podem ocorrer em curto prazo, mas também em longo prazo. Algumas consequências podem ser:

  • cânceres;
  • problemas pulmonares;
  • irritações na pele;
  • asfixia;
  • lesões ao sistema de formação de sangue;
  • fibrose pulmonar; entre outras.

Quais são as normas que devem ser seguidas na indústria?

A legislação disponibiliza uma série de normas para auxiliar no trabalho dos gestores industriais. Caso elas não sejam seguidas, é possível que haja a interdição do local, a incidência de multas e, até mesmo, despesas com problemas de saúde dos colaboradores prejudicados. Por isso, falaremos sobre algumas normas a seguir.

Norma Regulamentadora Nº 15

As indústrias têm uma característica quase que universal: ser um ambiente insalubre. Por isso, o gestor industrial precisa seguir algumas regras, com vistas a garantir o bem-estar de seus colaboradores. Uma das normas mais importantes e aplicadas nesse ambiente é a NR 15. Em seus anexos, são determinados alguns limites. Por exemplo:

  • anexo XII (poeiras minerais) — define regras e limites sobre o uso de asbesto, manganês e sílica livre cristalina;
  • anexo XIII (agentes químicos) — engloba substâncias, como carvão, arsênico, chumbo, berílio, mercúrio, cromo, fósforo, hidrocarbonetos e outros.

Normas de Higiene Ocupacional (NHOS)

Por outro lado, existem as Normas de Higiene Ocupacional, que são normas estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Fundacentro e que determinam fatores essenciais, como:

  • critérios técnicos de equipamentos;
  • metodologia de avaliação.

Quando é feita a análise de higiene ocupacional e são encontrados agentes nocivos, é preciso ser realizada uma avaliação do grau de exposição. Existem duas formas:

  • qualitativa — identifica o risco, mas não consegue mensurar o quanto está presente no ambiente;
  • quantitativa — é feita após a avaliação qualitativa e utiliza cálculos estatísticos para atribuir um valor de exposição.

Para avaliar os riscos ocupacionais corretamente, é preciso seguir o protocolo correto e utilizar instrumentos específicos. Por isso, é importante que o profissional conheça as Normas de Higiene Ocupacionais (NHOs), tendo em vista que elas auxiliarão a monitorar e realizar a avaliação dos riscos corretamente. Falaremos, a seguir, sobre algumas dessas normas.

NHO 01 – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído

Essa norma estabelece os critérios para avaliar a exposição dos trabalhadores aos ruídos contínuos ou intermitentes e aos de impacto, que podem ocasionar surdez. Ela estabelece o procedimento que deve ser adotado para aferir o nível de cada tipo de ruído citado anteriormente.

Além disso, estabelece também os limites de exposição. Por exemplo, o nível máximo diário de exposição permissível para 94 dB(A) é 1 hora; já para 100 dB(A), são permitidos apenas 15 minutos. Percebemos, então, que as normas dão todos os parâmetros para que as indústrias preservem a saúde dos colaboradores.

NHO 03 – Análise Gravimétrica de Aerodispersoides Sólidos Coletados sobre Filtros e Membrana

Esse método de ensaio indica um procedimento para a análise gravimétrica de aerodispersoide, no intuito de identificar a massa de poeira coletada do ar. Assim, alguns dos pontos citados são:

  • aparelhagem e materiais necessários para a medição — como filtros de membrana, manômetro de coluna de água, bomba portátil de amostragem e caixa de estabilização;
  • interferências que os filtros podem sofrer, como as condições ambientais;
  • limpeza dos materiais;
  • modelo de tabela de pesagem.

NHO 04 – Método de Coleta e Análise de Fibras em Locais de Trabalho

A técnica utilizada para a análise de fibras de ar é a análise por microscopia ótica de contraste de fase. É uma técnica rápida e que — se comparada com outras — tem o menor custo. A norma de higiene ocupacional nº 04 inclui todos os tipos de amianto/asbesto, fibras vítreas e fibras cerâmicas. Elas podem ser encontradas em diferentes ramos industriais e causar problemas respiratórios.

Essa norma define a maneira de coleta e de análise das fibras. Ela revela também que qualquer outra partícula pode interferir na análise. Por isso, é recomendado que o procedimento seja o mais cauteloso possível, com materiais de qualidade e em laboratórios com escopo acreditado para o ensaio específico.

NHO 06 – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor

A NHO 06 tem o objetivo de preservar o indivíduo de uma exposição excessiva que cause sobrecarga térmica, com incidência de luz solar direta ou não. A norma apresenta tabelas com os limites preestabelecidos, que diferenciam o nível de ação para trabalhadores aclimatizados e não aclimatizados. Quanto ao procedimento para medição, a norma versa que devem ser medidas:

  • a temperatura de bulbo úmido natural (tbn);
  • a temperatura de globo (tg);
  • a temperatura de bulbo seco (tbs) — é a única que, caso não haja a presença de carga solar direta, não é obrigatória.

NHO 09 – Avaliação da Exposição Ocupacional à Vibração de Corpo Inteiro

Essa NHO é responsável por normatizar a exposição do indivíduo a vibrações de corpo inteiro, que podem ser ocasionadas por trabalho em tratores, ônibus ou máquinas agrícolas, por exemplo. A medida para evitar problemas de saúde vai depender de cada caso, mas a norma cita algumas propostas:

  • manutenção periódica, em especial, dos sistemas de suspensão e amortecimento;
  • alternância de atividades para diminuir o nível de exposição contínua;
  • redução do tempo de exposição diária;
  • reformulação na rotina de trabalho.

Assim como nas outras, a NHO 09 também dispõe de tabelas e fórmulas com os limites permitidos em cada caso. Vale lembrar que é importante contar com o trabalho de um profissional da área de HO para realizar as medições.

Como é feita a higiene ocupacional?

Conforme é descrito nas NHOS, cada agente necessita de procedimentos específicos. Porém, existem 4 etapas que são sempre seguidas:

  • antecipação — avalia os riscos antes mesmo de eles existirem e aplica as medidas preventivas para minimizá-los ou eliminá-los. Pode ser aplicada, por exemplo, antes da mudança de uma substância utilizada na indústria por outra;
  • reconhecimento — é o processo qualitativo, quando o higienista ocupacional vai identificar quais são os agentes nocivos presentes no ambiente;
  • avaliação — é a fase quantitativa, na qual são utilizados equipamentos que permitem a medição do nível de exposição;
  • controle — representa a implantação e o acompanhamento das medidas necessárias para minimizar os riscos encontrados nas etapas anteriores.

Por que contratar uma empresa especializada?

Quando os agentes nocivos são encontrados em uma quantidade que é considerada insalubre, o profissional que manipula o produto ou aquele que simplesmente está presente no local corre sérios riscos de problemas de saúde. Além disso, existem as penalizações legais para a empresa, quando há fiscalização.

Antes de escolher o Laboratório de Ensaios Químicos de Higiene Ocupacional, o empresário deve verificar se ele é participante de Programas de Proficiência Interlaboratoriais, como AIHA-PAT e Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo – INSHT, se tem acreditações como AIHA-LAP ou INMETRO e, ainda, se o escopo de ensaios para HO abrange tudo de que a sua empresa necessita.

Investir em higiene ocupacional na indústria garante uma metodologia voltada à saúde e ao bem-estar da equipe, previne que a empresa sofra com processos trabalhistas e afastamentos — decorrentes de doenças do trabalho — e ainda diminui custos com irregularidades, caso venha a surgir alguma fiscalização.

Se a sua indústria precisa mudar no que diz respeito à higiene ocupacional, não perca mais tempo: entre em contato com a nossa equipe e fale com os melhores especialistas no assunto.

Riscos biológicos
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